Não era uma crise aguda. Era uma crise branda, cinza, difícil de enxergar. Um sentimento monótono, constante. Uma sensação de poder ser, fazer e sentir mais e, ainda assim, não me mover.

Sei do potencial que tenho para ser feliz. Aliás, eu sei que todos nós podemos ser muito felizes, mesmo sendo imperfeitos em um mundo imperfeito. Mesmo lidando com dificuldades. É por isso que não quero o médio, quero o melhor, o máximo da vida. Quero realizar tudo o que estiver ao meu alcance e que não é pouco.

Para superar o estado cinza de viver, o sentimento de crise me avisava lá do inconsciente: “Mude, não está bom mesmo. Mude. Você pode. Você deve!”.

Minha parte mais lúcida sabia os caminhos que eu deveria seguir, mas meu medo de ser inteira e assumir completa responsabilidade por quem sou e por tudo o que eu já escolhi ser me impedia de experienciar a tal felicidade.

A chegada à Índia, ao sair do avião, foi como cair de paraquedas em meio a um forno gigante, barulhento e desconhecido de algum país em alguma galáxia distante. Era 1h da manhã. Eu estava totalmente sozinha; tinha só 21 anos e vinha de um inverno de Londres. Tinha estado lá por três dias em uma conexão prolongada entre Brasil e Índia.

Era início de dezembro de 1997. Nunca fui amiga do frio; sempre me senti dolorida e triste no meio deste clima. Na verdade, em minhas viagens e moradias em terrenos glaciais, acho que nunca soube me defender das baixas temperaturas com as devidas peças de roupa para amenizar a força deste gigante poderoso e mal-humorado. Eu já tinha me aventurado com quinze anos a morar em Dakota do Norte, nos Estados Unidos, por nove meses e lá, sim, conheci muito bem este clima bravo e impiedoso.

Meu problema maior acho que era nos pés, que estavam sempre frios. Menos 10 graus e eu usava tênis. Menos 30 graus e eu, ainda de tênis. Nada de botas quentinhas com pelo dentro. É claro que eu só poderia me sentir um frango congelado.

Mas, na Índia, nesta mesma época, quando em Londres fazia 4 graus, assolava um calor de 40, e, ao ser apresentada àquele bafão quente, eu me percebi com um casaco pesado para eventos no Everest, em pleno forno asiático!

Ansiosa, cansada e com medo, fiz os procedimentos de entrada no país; passei pela polícia, peguei minha mala e fui procurar o taxista que iria me levar para Auroville – uma “comunidade alternativa” no estado de Tamil Nadu, no sul da Índia, onde passaria dois meses e meio.

01 02

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