Depois de um dia, Aryamani me indicou um lugar melhor para eu ficar. Era uma espécie de pousada, onde me sentiria mais à vontade. Saí de lá agradecendo muito e fazendo promessas de visitá-la novamente.

Cheguei já no fim da tarde, querendo encontrar uma hospedagem normal com banheiro, toalha, vaso sanitário, luz e outros itens básicos.

Quem administrava esse novo lugar era uma americana. Além dela havia duas pessoas que praticamente moravam lá. Um alemão carrancudo de dar medo e uma senhora, também americana, de uns noventa anos.

A americana, que era a gerente, recebeu-me com simpatia e levou-me até o novo quarto: simples, mas jeitosinho.

Na hora do banho mais à tardinha, um calor desgraçado! No clima úmido, eu suando como nunca e os mosquitos me jantando. Fui pedir educadamente uma toalha para a americana e recebi um olhar tão fulminante que me fez pensar se eu não tinha distraidamente pedido emprestado a calcinha dela. Acho que era algo que eu deveria ter trazido. Mesmo assim ela me emprestou um pano duro e áspero, e apontou para o lugar do banho – um chuveiro a uns cinquenta metros do meu quarto; depois apontou para o “banheiro” na outra direção e me deu uma lanterna.

Agradeci muitíssimo e lá fui eu sem perceber que a luz do dia estava acabando e dando lugar à escuridão. Eu, ainda neste ponto, estava forte, corajosa, peitando tudo, sentindo-me uma antropóloga destemida.

Ao abrir o chuveiro, a escuridão já tinha caído e me vi de repente pensando como faria para tomar banho segurando uma lanterna. Que bizarro! Realmente foi a chuveirada mais rápida que eu já tomei, inclusive porque a água estava gelada. Sequei-me, pus uma roupa e fui ao banheiro (tudo bem que a ordem das coisas deveria ser o contrário).

Queria usar a lanterna, mas ela devia estar com as pilhas fracas e eu deveria ter trazido a minha. Chegando desengonçada e apressada, uma surpresa: Vaso sanitário? Papel higiênico? Artigos de luxo...

– Mas temos uma torneirinha onde você pode molhar sua mão esquerda e fazer uma limpeza ainda mais higiênica – eu ouviria depois diversas vezes dos europeus indianizados que moravam em Auroville.

Sendo tudo tão complicado, voltei para o quarto e desabei a chorar. Estava totalmente despreparada, solta, jogada no meio de uma fantasia de adolescente tardia. O que eu queria era apenas um choque cultural... Melhor teria sido ficar em casa e ter alugado um documentário.

01 02

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