Meu marido, nossos dois filhos e eu tínhamos voltado há alguns meses para o Brasil depois de morarmos por quase dois anos em Portugal. Estávamos em fase de readaptação em nosso país, recomeçando do zero financeiramente e acomodados, por um período, na casa de meus pais. Ele, músico; eu, psicóloga.

As coisas fluíam a velocidade quase nula. Ele voltando a fazer contatos com músicos e profissionais da área; eu, perdida, pensando novamente se deveria trabalhar em um restaurante, continuar a saga como psicóloga autônoma ou iniciar outra faculdade – nunca certa daquilo que eu gostaria realmente de fazer na vida.

Retornar ao Brasil foi quase uma imposição das circunstâncias, já que Portugal estava em dificuldades após a crise econômica de 2008.

Voltávamos para casa depois de levar as crianças à escola, num dia chato e comum de semana. Ele dirigindo o carro emprestado por meus pais, que sempre nos salvava em horas de aperto, eu no banco da frente do passageiro, olhando fixamente para o vazio, focada da minha solidão e confusões internas.

– Grá, por que você não escreve um livro? Pergunta confiante meu marido.

Saindo lentamente do meu fabuloso mundo egocêntrico e voltando a atenção para esta voz que representava ali o mundo real, com todo o cansaço que implica viver nele, respondo abobada:

– Um livro?

– É, olha que ideia boa! Você pode escrever sobre tantas coisas que você já viveu: suas viagens, suas percepções sobre a vida, suas crises...

Ficou pensativo e continuou :

– É isso, Grá! É isso o que você vai fazer. Eu já decidi (acho que estava mesmo desesperado para me ajudar).

– Pode até ser, mas... quem sou eu para escrever um livro? Sou uma pessoa tão comum! Quem vai se interessar por meus devaneios?

– E daí que você é tão comum? Aliás, justamente por isso. Quantas pessoas podem se identificar com suas percepções e sentimentos? Além disso, você adora escrever e tem muita história para contar sobre suas viagens. Por que não escreve um livro sobre suas aventuras na Índia?

Já adorando a ideia e me distanciando um pouco da lamacenta confusão interna, respondo:

– Hum, não sei. Um livro de aventuras? Não...

Ele estava com a mente afiada:

– Quem sabe um livro sobre as suas aventuras, suas crises com Deus e com a profissão?

– Nossa, quanta crise! Será que eu sou tão problemática assim?

01 02

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